sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Morte

Morte. Não é um homem ou uma mulher. Não é humano. Não é uma personagem de quadrinhos. Não é um esqueleto londrino bem vestido. Não é bom, não é mau. Morte é um instante. Um instante depois de o último suspiro de um ser vivo. Um milionésimo de um segundo. É isso que alguns chamam morte. Outros chamam muerte ou décès ou trauerfall.
Vamos seguir este instante. Vou tentar mostrar como é este instante.

A morte aconteceu, ou passou, neste momento na Rússia onde trinta e cinco pessoas estavam dentro de um ônibus enquanto este capotava morro abaixo. Passou agora pela Itália onde um garoto caiu em um rio e um homem idoso estava encolhido em um beco gelado. Passou também pela Colômbia onde tinha quatro pessoas, duas mulheres, um homem e um francês que era um dos mais ricos daquele país. Agora está passando por São Paulo, no Brasil, onde em uma pequena casa tinha uma mulher e uma garota de cinco anos. Bom, com certeza uma sentiria falta da outra e vice-versa, e de fato uma está sendo sentida agora mesmo. Mas não direi qual para poupar-lhe. Na verdade já faz alguns minutos que a morte aconteceu aqui. Eu é que me demorei a relatar.

Enfim. Morte acontece em todos os lugares, em diferentes milionésimos de segundos. Não se pode prever. Simplesmente v