domingo, 28 de outubro de 2007

Crianças são E.Ts.

- Você dizia...?
- Crianças. Eu tenho pavor de crianças, doutor.
- Crianças, ein?... (Alô. Sim, eu tenho um aqui. Podem vir
buscar) Diga: Elas gostam de ir ao parque?
- Ah, doutor. Eu imagino que sim. Ou melhor, acho que não.
Elas devem fazer coisas piores que ir ao parque.
- Mm. Diga, descreva o cabelo delas.
- Ah, doutor. São cabelos normais, de diversas crianças.
Tinha uma que tinha aquele cabelo tigelinha. Horrível,
doutor. Outra tinha cabelo comprido... E franja. Apavorante,
doutor. E elas olhavam para mim com uns olhos negros,
malvados, rindo na minha cara. Ainda me lembro daquela com
cabelo um pouco comprido que tinha separado no topo da cabeça
dois maços de cabelos pendurados. Pareciam duas maçanetas.
Uma vez sonhei com ela, doutor. Ela vinha na minha direção
rindo alto, com a faca na mão e as duas maçanetas
chaqualhando. Passei a noite em claro. Mas o pior foi aquele
moleque. Ele tinha o cabelo tão loiro, doutor, que às vezes
parecia verde. Verde! doutor. Nunca tinha visto cabelo verde,
doutor. Deve ser um E.T.. Sim, são todos E.Ts., o que mais?!
O que acontece doutor? Por que me atormentam?
- Pode entrar.
- É esse daí?
- É sim. Podem levar.
- Doutor! Não. Não deixa, doutor. Me ajuda, doutor. São as
crianças! São elas! Não permite, doutor! Por favor. Elas vão
acabar comigo! Eu não vou deixar. Não! Doutor! Doutor!
Doutor!