sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cultura Popular

Um carro preto de repente parou no meio da rua fazendo com que os outros atrás também parassem e que alguns transeuntes o olhassem. Baixa-se então o vidro do tal carro e uma mão branca aparece acenando para que passem-no. O último dos carro, um cor vinho, enquanto passa, toca a buzina e levanta a mão o motorista fazendo um gesto que não se sabe ao certo o que dizia. Vendo isso, o primeiro motorista, o do carro preto, se enfurece e grita alguns nomes chulos. Antes que terminasse de praguejar nota que o carro vinho parou e dele saiu um homem com seus quarenta e tantos anos, já com cabelos grisalhos. Este, dirigindo-se ao blasfemador, diz "Olá, camarada. Sinto muito se me compreendeste mal. O sinal que fiz a ti era simplesmente um aceno em agradecimento pela bondade de o senhor ter nos orientado, sem perder tempo, de que se demoraria e que deveríamos seguir contornando-o, e a buzina foi apenas para o meu aceno não lhe passar desapercebido, embora admito não ser este um motivo muito convincente para o uso de tão irritante instrumento. Sem mais o que dizer me despeço do compreensivo senhor."

E mais uma briga de trânsito, e porque não uma possível morte desnecessária, foram evitadas. Antes assim fossem todos os cidadãos desta cidade. Mas enquando eu escrevia e você lia esta última frase o motorista do carro preto emparelhou-se com o carro cor vinho, que ainda estava parado, e disse "O senhor não me venha a fiar esta conversa de grego, que é pior que os presentes destes, e ficar a troçar de minha paciência, pois tenho uma ótima vista e mesmo não tendo certeza do que vi, sei que vi, ainda que não sabendo o que significa. Pois saiba que não aturarei escárnio que me tenha por alvo." e mirando a cabeça do outro com um calibre 38, que é famoso por seu tamanho diminuto e por seu facílimo manuseio, lançou-lhe um projétil que alojou-se entre uma vista e outra do agora defunto, e saiu com os pneus a cantar.

Tivemos sim uma morte desnecessária, se é isto que estás pensando, mas entretanto não podemos nos queixar do quão articulados são os cidadãos desta cidade.

10/05/07 - 16:45