quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sua Mãe

De repente ele olhou bem para a folha de papel que estava à sua frente, em cima da mesa, e não via mais aqueles desenhos incríveis que ele fazia sempre. De repente descobriu que não tinha talento. Olhou para a folha de papel e viu apenas manchas de tinta. Manchas de cores indefiníveis e sem formas perceptíveis. Olhou em volta e não viu a casa magnífica de sua mãe. Não viu tudo organizado, belo e cheiroso. O que viu na verdade foi uma casa abandonada, escura, suja; paredes ruindo e um fedor insuportável no ar. Ele correu pela casa desconhecida e percebeu que tudo estava no mesmo lugar: o banheiro era à esquerda e à direita os quartos. Mas tudo estava diferente. Tudo estava destruído. Os móveis quebrados e jogados no meio dos cômodos. O lixo espalhado pelo chão; e no meio disso tudo ele não encontrava sua mãe. Até alguém bater na porta e ele demorar a atender e finalmente atender e pessoas falando coisas sem sentido, palavras estranhas e agarrando-o e lutando, porque ele também estava lutando mas não podia pois eles eram mais fortes e maiores e muitos e ele foi levado a um lugar em que uma mulher muito simpática tentava contar-lhe que estavam tentando o ajudar, que sua mãe havia morrido e que ele agora estava sozinho no mundo com exceção dessas pessoas que tentavam o ajudar, mas ele negava e negava, porque se lembrava de ter visto sua mãe há muito pouco tempo e que ela esquentava a sopa para ele e o afagava o cabelo como sempre fazia e que ela não poderia ter morrido porque ele fazia parte dela e se ele estava vivo ela também estava, assim como seus incríveis desenhos que fazia em papel canson com tinta e sua mãe sempre dizia que eram realmente incríveis e o afagava como sempre a cabeça; e não sentia as mãos alheias que o tocavam enquanto sua mãe o afagava o cabelo como sempre, nem a agulha que espetavam nele e ele se sentia bem e a solução que o injetavam enquanto sua mãe o afagava e o colocavam na cama amarrado porque sentia-se bem, porque sua mãe...