sábado, 5 de dezembro de 2009

Tragédia

Então ele pegou a faca e gritou: “Nunca conseguirá! Te levo ao inferno antes!”
Saiu correndo em sua direção brandindo a faca, mas o grito da amada o fez parar: “Amor, por favor pare. Se fores preso nunca mais ficaremos juntos.”
- Mas Joselha, não vê que se eu não matá-lo agora ele nos matará?
- Antes morrermos os dois por nossa própria mão do que matar e sermos condenados a uma eternidade separada.

Enquanto isso o covarde Ananias se esgueirou por trás de Jofre e enfiou-lhe a faca pelas costas, fazendo-a sair pelo ventre. Joselha, quando viu o sangue brotar inexplicavelmente do ventre de seu amado, ajoelhou-se no chão e ficou muda de surpresa. Logo Ananias mostrou sua cabeça horrível por cima do ombro de Jofre com um sorriso esgarçado e apavorante.

Joselha, vendo isso lançou seus olhos ao choro, mas junto lançou seu corpo na direção dos dois corpos com uma fúria sem igual. Colocou com violência seus dois dedos nos olhos de Ananias que reagiu com um grito penoso. Ananias largou da faca e saiu cambaleante, de costas, gritando e balançando as mãos freneticamente.

Nesse mesmo momento, Joselha agarrava a faca que estava nas costas de seu ensangüentado amante, puxando-a com verdadeira força descomunal. Ananias ouviu o longo silêncio que antecedeu o breve grito antes de sentir sua cabeça ser empurrada.

O corpo do covarde Ananias feriu o chão com violência quando caiu. Sua cabeça estava com um chifre de metal ensangüentado. Próximo dele estava Joselha arfando ruidosamente. Quando recobrou sua conciência correu para perto do corpo do pobre Jofre que já estava inerte. Suas lágrimas enchiam seus olhos e corriam para o peito defunto.

Mas então Joselha tomou conhecimento de seu futuro miserável e decidiu-se. Em poucos segundos correu até o miserável Ananias, arrancou-lhe a faca da testa fria e cravou-a no próprio peito, ainda em tempo de chegar ao lado de seu defunto noivo e cair demoradamente, tão leve quanto uma pluma em seu ventre.