segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Minhas Pernas e Meu Cérebro

- Seu pai começou a brigar de novo com aquela garçonete.
- É, eu sei. Não sou surdo.
- Já sei até como vai ser isso.
- É. Primeiro reclamam um do outro, depois reclamam dos
outros e por final reclamam de mim.
- E se você se jogasse contra a porta do quarto de cabeça?
- Eu ficaria com a cabeça doendo.
- Sim, mas talvez assim eles parassem.
- Não, a dor de cabeça não valeria a pena. E como é que eu
correria até a porta?
- Eu te ajudava.
- Acho difícil.
- ...
- ...
- Talvez se começar a gritar.
- Eu poderia gritar. Mas será que adiantaria?
- Claro. Eles abririam esta porta rapidinho.
- Mas eu ia virar a atenção. Não quero isso.
- Sabe, não temos muitas escolhas. Se recusar todas não
sobrará nenhuma.
- É, eu sei.
- Escuta! Esta briga parece muito com aquela do seu
aniversário de doze anos.
- Isso foi ontem.
- Verdade. O tempo voa.
- ...
- Eu posso ir derrubar umas panelas na cozinha.
- Não, não pode. Já se esqueceu?
- Não esqueci. Mas eu gostaria de poder derrubar umas
panelas.
- EU gostaria de poder voar.
- Olha! Pararam. Vamos sair.
- Deixa eu pegar minha cadeira. Ei! Idiota. Sempre
atravessando paredes.