segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Ãn? Ein?

Trim.

- 15ª delegacia de polícia.
- Eu queria fazer uma denúncia. - Disse uma voz de velha.
- Pode falar, senhora.
- Tem duas sombras do outro lado da rua.
- Que tipo de sombras, senhora? - Perguntou o policial em um
tom de estranheza.
- Duas sombras de pessoas.
- E o que estão fazendo?
- Estão tramando algo. E não deve ser bom.
- E como sabe disto, senhora?
- Ora. Duas sombras a essa hora da matina só podem estar
tramando algo.
- Desculpe senhora, mas isto não é o suficiente. Tenha uma
boa noite.

Clique

Um minuto depois:

Trim

- 15ª.
Uma voz de velha imitando um homem diz:
- Alô. Eu moro na rua Jaceguai do outro lado, e do lado de
cá tem umas sombras misteriosas.
- Senhora, eu já disse que não há nada que eu possa fazer.

Clique

- Ora. Policial insolente. Deixar uma velha indefesa nas
mãos de duas sombras maquiavélicas. Vou cuidar disto eu
mesma.

De repente, de uma das casas, sai uma velha com uma faca em
punho gritando:
- Vão embora seus malditos!
Uma das sombras, que a princípio estavam se beijando, vendo
aquilo, solta um grito extremamente estridente. Em seguida,
as duas sombras saem correndo.
Uma vizinha que abriu a janela para ver o que havia
acontecido, quando viu a velha sentada no chão, aturdida,
olhando para os lados como se estivesse perdida, correu para
acudi-la.
- A senhora está bem?
A velha apenas a encarou. Ora um olho, ora o outro.
- Perguntei se está bem. - Repetiu a garota aumentando o
tom de voz.
A velha então, fez uma careta e esbravejou:
- Ora, pare de fazer mímicas na minha frente e fale direito.
- Mas é o que eu estou fazendo! - Gritou a garota.
- Garota safada, sem vergonha. Pare de me atazanar. Não se
faz isso com uma velha...
Só então, a velha percebeu que não podia ouvir a própria voz.
E começou a gritar.
- O que foi? A senhora está bem? - Acudiu a garota.
- Vá embora! Não vê que estou tentando escutar minha voz.
A garota, contrariada, virou as costas e foi em direção a sua
casa quando ouviu outro grito. E por instindo foi correndo
acudir a velha novamente.
- E agora senhora?
- Me largue! Me largue! Já não disse que estou tentando
ouvir minha voz.
- ...Veja, senhora. Está com sangue nos ouvidos.
A velha pôs as mãos nos ouvidos e disse:
- E essa agora. Estou com sangue nos ouvidos.
- A senhora devia ir logo no médico.
- Se não fosse tão tarde iria no médico.
- Vá assim que amanhecer. Tem um médico a duas quadras
daqui. - Disse a garota enquanto apontava para o final da
rua.
- Onde será que teria um médico por aqui?
- Foi o que acabei de dizer! - Gritou a garota.
- Ah. Mas voltou a me arremedar, garota.
- Olha, sua velha caduca, eu não tenho culpa se você ficou
surda. - Disse virando as costas.
Berrando, a velha respondeu:
- Pois eu não escutei nada do que saiu dessa sua boca
fedorenta! Amanhã vou ao médico, e quando voltar a ouvir
você vai se ver comigo! Sua pirralha!

Sentado em uma cadeira o policial falou:
- Continua; sabe-se lá quando.

Para Osugi