segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A Boa Morte

O menino saiu para o bosque próximo de sua casa pensando em provar a todos que ele realmente não era um menino mimado. Logo foi encontrado por um urso marrom que fuçava nos arbustros e pensou "essa é a perfeita chance de provar que todos estão errados quanto a mim". Partiu para cima do urso gritanto e fazendo ruídos ininteligíveis, o que parece ter realmente incomodado o urso, que se ergueu nas patas traseiras e desfechou-lhe um tapa no rosto arrancando parte da bochecha do garoto que embriagado em adrenalina e estupidez investiu novamente contra o urso. O animal apenas o derrubou com um tapa leve, fazendo-o cair às suas patas. Não demorou para cavoucar o abdômen do garoto e jogar suas tripas longe. O garoto, ainda sem dor, pois além da adrenalina estava já cheio da morte, começou a tremer os lábios enquanto olhava através do céu. O urso, vendo o ser idiota imóvel foi pacificamente embora sem se importar com o apêndice do garoto que estava enfiado em uma de suas garras.

O garoto, olhando para o próprio corpo, viu centenas de formigas agitadas que andavam por sua extensão. Não sabia mas estava sendo mordido inúmeras vezes, pois sua carcaça em breve inútil havia caído sobre um formigueiro. Observando as formigas pensou que elas, com seus instintos, vieram para felicitar o mais novo bravo homem. E pensou ainda "sou um bravo homem; sou um homem corajoso; não mais um menino mimado". E então apagou, pois a morte havia transbordado em seu corpo.