quinta-feira, 5 de julho de 2007

A Força do Pensamento

Desceu do trem com roupas comuns e sem luxo, com seus sapatos gastos e passou os olhos ao redor procurando por alguém conhecido.

O primeiro a lhe notar foi Sebastian. E logo pensou "essa não!". O que faz essa rapina aqui? Espero que não me veja.
Droga! Tarde demais.

Vera, era seu nome, abriu um sorriso e partiu ao seu encontro.

- Olá, Sebastian. Que coincidência lhe encontrar aqui.
- Sim, imagino.

Sentaram um a frente do outro ao redor de uma mesinha e ela começou a tagarelar incessantemente.
Enquanto a ouvia, Sebastian pensava:

"Rapina maldita! Deve estar querendo limpar minha carteira de novo. Não tenho dúvidas, veja como ela está vestida. Mas será que ela é realmente mesquinha e egoísta? Talvez seja apenas uma menina de vida sofrida, lutando pela sobrevivência. Eu tenho muito dinheiro, realmente não me importaria em compartilhar um pouco com ela. Talvez assim ela se tornasse a mulher gentil e adorável que devia ser. Será mesmo? Pensando bem... Eu nunca a vi sendo sincera. Sempre mentindo, nenhum gesto de altruísmo, sempre aquelas palavras sujas pingando da boca, vomitando suas insinceridades. E se ela me aprisionar? Se me obrigar a pajeá-la com meu dinheiro? Ela deve conhecer alguns fatos vergonhosos do meu passado, das minhas noitadas na juventude. Não tenho dúvidas de que irá usá-los contra mim, é do seu feitio. Serei obrigado a me casar com ela. Ficarei preso eternamente sob suas garras sujas de carniça. Sou um homem respeitado, não posso me sujeitar a isso. Não! Nunca! Mas o que fazer?! O que?!"

Pensando isso, Sebastian arregala os olhos, avança sobre a mesa, pula sobre Vera gritando "vou matá-la!" enquanto a estrangula. Diante daquela ridícula cena, com um homem deitado na mesa gritando incoerências enquanto sufoca uma mulher e outros homens tentando o impedir, aparecem alguns policiais e o prendem por tentativa de homicídio.