domingo, 22 de julho de 2007

Misericórdia

Ano 3070 e alguma coisa. Um homem de jaleco branco entra por uma porta seguido por outro homem. Ele começa a explicar coisas sobre o local. Para a frente de uma cama coberta por uma espécie de tampa de vidro. Dentro, um rapaz adormecido.

- Este rapaz terá sonhos eternos. Ele teve muitos problemas na vida. Não merecia ficar vendo tudo aquilo que acontecia no mundo. Então ele resolveu ter sonhos eternos.
- Mas como é feito isso?
- Uh! Descobrimos que algumas substâncias, quando liberadas no sangue, causavam mal-estar. Causando assim pesadelos, sonhos desagradáveis. Nós liberamos, apenas quando necessário, uma substância que anula os efeitos da primeira. E mantemos ele em um sono profundo. Ele recebe, em tempo integral, uma terceira substância que o mantém dormindo. Mas veja vem, que ele não vai morrer por causa da substância. Pois ela apenas o deixa dormindo.
- E como vocês sabem quando injetar a tal substância que anula os efeitos? Não pode haver erros?
- Não! Não, não. Veja, é tudo automatizado. O sangue é puxado de uma veia determinada, passa por uma máquina que analisa o sangue, e quando é detectada a substância, imediatamente é injetada a contra-substância poucos milímetros a frente, na mesma veia. O mesmo sangue que sai, volta para a mesma veia. Não tendo o perigo de necrose por falta de irrigação. Por estar isolado, ele Não pega nenhuma doença. Morrerá de morte natural.
- Não tem perigo de acordar?
- Absolutamente. Então vamos fechar negócio?
- Hum. Está bem.
- Muito bem. Muito bem. Ótima escolha senhor. Sabe que com esse projeto o número de suicídios baixou?
- Mesmo?
- Sim, sim. É uma grande notícia. Eu uma vez li que...

Os dois saem por outra porta e o silêncio impera no local.